Os derivativos agropecuários constituem eficientes ferramentas de gestão dos riscos de variações de preços dos principais produtos agrícolas produzidos no Brasil.
O produtor agropecuário enfrenta riscos de produção e de preços que, além de causarem instabilidade a sua própria atividade, podem provocar instabilidade em todos os demais membros da cadeia de atividade onde participa. O preço de um produto oscila por motivos micro e macro econômicos e no mercado de derivativos não é diferente, oferta e demanda interagem constantemente e estão na base das oscilações de preço.
Os mercados futuros possibilitam estabilização de preços e redução de riscos, permitindo melhor planejamento, diminuição de custos de transação e aumento da competitividade das cadeias. Além dos conceitos básicos dos tipos de mercado neste Guia de Derivativos Agropecuários você poderá conferir como estes instrumentos são utilizados pelos participantes do mercado, assim como entender o importante papel de uma Bolsa na economia mundial.
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Boi gordo
Especificação do contrato:
- Código:
- BGI
- Objeto de negociação
- Bovino macho, vivo e castrado, bem-acabado (carcaça convexa), em pasto ou confinamento, que apresenta peso mínimo de 450 quilos e máximo de 550 quilos e idade máxima de 42 meses.
- Tamanho do contrato
- 330 arrobas líquidas (1 arroba = 15 quilos).
- Cotação
- Reais por arroba líquida.
- Variação mínima de apregoação
- R$ 0,01 por arroba líquida.
- Vencimento
- Último dia útil do mês de vencimento, estando autorizados todos os meses calendário.
- Margem de garantia
- Exige-se margem de garantia de todos os comitentes com posição em aberto, cujo valor é atualizado diariamente pela bolsa, de acordo com critérios de apuração de margem para contratos futuros.
O que é?
Fundada em 1898, a Chicago Butter and Egg Board transformou-se na Chicago Mercantile Exchange (CME) em 1919. Naquela época, somente oferecia contratos futuros sobre produtos agrícolas, como manteiga e ovos.
Apenas em 1964 criou o primeiro contrato futuro do mundo sobre uma commodity não armazenável, o boi gordo.
Uma das mais importantes fontes de proteínas na alimentação humana, a carne, em sua produção nos Estados Unidos, concentrou-se, até a Primeira Guerra Mundial, em pequenas propriedades agrícolas. O sistema tradicional de criação acabou por ceder lugar à criação em confinamento, que hoje representa mais de 95% da produção local.
A pecuária bovina chegou ao Brasil com os primeiros imigrantes portugueses, ainda na primeira metade do século XVI. Hoje o país tem o maior rebanho bovino comercial do mundo, e a bovinocultura de corte representa a maior fatia do agronegócio brasileiro, gerando faturamento de mais de R$ 50 bilhões/ano e oferecendo cerca de 7,5 milhões de empregos.
O Brasil é também o segundo maior produtor mundial de carne bovina e couro e o quinto maior de leite. O consumo per capita de carne bovina é de 36,4 quilos/habitante/ano. Nos últimos anos, a carne brasileira passou a ganhar cada vez mais espaço no comércio internacional, o que tornou o país o maior exportador mundial de carne bovina.
A pecuária de corte, o processamento e a comercialização de carne apresentam riscos substanciais de preço para os participantes dessa cadeia produtiva. Esses riscos podem ser minimizados nos mercados futuros.
Exemplo:
- Negociação de Contratos Futuros:
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Você calculou o custo de engorda de seu rebanho para formar o preço que espera receber quando ele atingir o peso ideal para abate. O valor a que chegou é de R$ 92,02/arroba. Com a margem de lucro, o valor ideal seria de R$ 102,02. Suponha que esse seja o preço do boi gordo cotado em bolsa. Temendo queda na época prevista, você decide vender 10 contratos (330 x 10= 3.300 arrobas) no mercado futuro.
- Hipótese
- Se houver aumento da oferta de boi gordo, o preço da arroba poderá cair para R$ 90,00.
- Receita com a venda do produto
- R$ 90,00 x 3.300 arrobas = R$ 297.000,00.
- Operação de boi gordo no mercado futuro
- R$ 102,02 x 3.300 arrobas = R$ 336.666,00.
- Resultado final da operação
- R$ 336.666,00 (preço contratado) - R$ 297.000,00 (preço de mercado na data do vencimento) = R$ 39.666,00 (resultado bruto no contrato futuro).
Observe que no resultado final da operação, mesmo com a queda do preço do boi gordo no mercado físico, você cobriu seus custos de produção (R$ 92,02/arroba) e garantiu margem de lucro (R$ 39.666,00 em 3.300 arrobas) com o contrato futuro em bolsa.
No caso inverso, ou seja, se o preço no mercado físico tivesse subido, o prejuízo incorrido no mercado futuro seria compensado com o lucro obtido na venda do rebanho na época do abate. Dessa forma, grosso modo, seu preço de venda líquido seria o negociado no mercado futuro.
- Negociação de Contrato de Opções:
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Muitas vezes o pecuarista pode apresentar dificuldades para administrar o fluxo de caixa diário para os ajustes BM&F e uma alternativa para garantir seus preços/rentabilidade é utilizar uma ferramenta chamada de OPÇÃO DE VENDA (também chamadas de PUT) .
Ao comprar uma opção de venda (PUT), o pecuarista paga um prêmio para ter o direito (e não a obrigação) de vender um determinado vencimento no mercado futuro a um determinado preço. Sendo assim, se o mercado cair abaixo do nível de preço em que se tem a opção de venda, o pecuarista tem o direito de exercê-la e fica vendido no preço estabelecido na opção, recebendo a diferença entre o preço travado e o preço praticado no mercado futuro.
Se o mercado ficar acima do preço da opção, ele não a exerce, e seu único custo foi o prêmio pago por ela. Vantagem essa que podemos embutir esse custo da compra da OPÇAO DE VENDA na planilha do custo de confinamento.
A melhor analogia para as opções de venda são o seguro de um carro. No seguro, é pago um prêmio para a seguradora e se por qualquer motivo o carro for roubado ou batido, seu valor é recuperado.O mesmo acontece para o pecuarista, a opção de venda (seguro) funciona como uma garantia de preço mínimo.
Se esse preço mínimo já for suficiente para cobrir os custos de produção (incluído neles o próprio custo para se adquirir a opção) o que está garantido é uma rentabilidade mínima para o investimento. Outra grande vantagem é que se o mercado físico subir, os ganhos não ficam limitados e o pecuarista aproveitará todo o movimento de alta no mercado físico. Para a compra das opções de venda, não é exigida margem de garantia e não há ajustes diários, conseqüentemente não demanda acompanhamento diário.
- Exemplo de Hedge com Opção de Venda
- Você compra uma opção de venda de R$ 102,00/@ por R$ 2,00/@, com seu custo de produção de boi confinado a R$ 95,00/@. Em outubro o mercado físico cai para R$90,00/@,o que dá um prejuízo de R$ 5,00(90,00-95,00)na operação do confinamento Para se proteger dessa queda, você então exerce a opção de vender o contrato futuro a R$102,00/@, e imediatamente recompra o contrato futuro a R$90,00/@. Com essa operação o custo ficou travado a R$100/@(R$102 –R$2,00), e a rentabilidade de R$5,00 em cima da operação foi garantida. Se o mercado estiver saindo a R$110,00, o custo de R$2,00 foi embutido no confinamento e o pecuarista venderá o seu boi no físico a R$110,00.
Além de opções de venda, existem também as opções de compra (também chamadas de call), que oferecem proteção contra uma alta de preços. Seu mecanismo é semelhante ao da opção de compra, ou seja, pagando um premio, o produtor garante o direito (e não a obrigação) de comprar um determinado vencimento, no mercado futuro a um determinado preço.
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Café Arábica
Especificação do contrato:
- Código:
- ICF
- Objeto de negociação
- Café arábica em grão, tipo 4/5 ou melhor, bebida dura ou melhor.
- Tamanho do contrato
- 100 sacas de 60 quilos líquidos.
- Cotação
- Dólares dos Estados Unidos por saca de 60 quilos líquidos.
- Variação mínima de apregoação
- US$ 0,05 por saca de 60 quilos líquidos.
- Meses de Vencimento
- Março, maio, julho, setembro e dezembro.
- Margem de garantia
- Exige-se margem de garantia de todos os comitentes com posição em aberto, cujo valor é atualizado diariamente pela bolsa de acordo com critérios de apuração de margem para contratos futuros.
O que é?
No Brasil, o plantio de café teve início no estado do Pará, em 1727, pelas mãos do militar Francisco de Melo Palheta. Seu cultivo expandiu-se pelo Nordeste, atingindo, em 1825, o Vale do Paraíba. Em razão do clima e da fertilidade das terras, concentrou-se nos estados de Minas Gerais e São Paulo. Foi no começo do século XX que, de fato, a commodity, devido às exportações, levou o nome do país às mais variadas regiões do mundo.
Como a comercialização do produto entre os agentes econômicos gerava muito risco de preço, era necessário criar um mecanismo de proteção contra os diversos fatores que influenciavam a formação desse preço.
O primeiro contrato futuro de café do mundo foi lançado pela Coffee Exchange in the City of New York em 1882, ano de sua fundação. Em 1916, sua denominação foi alterada para New York Coffee and Sugar Exchange,que, em 1979, fundiu-se com a New York Cocoa Exchange para formar a Coffee, Sugar & Cocoa Exchange (CSCE).
Em 1986, a CSCE introduziu o mercado de opções sobre futuro de café. Em 2004, a CSCE e a New York Cotton Exchange (Nyce), esta fundada em 1870, transformaram-se na New York Board of Trade (Nybot).
Exemplo de negociação de contrato futuro
Suponha que sua colheita esteja estimada em 40.000 sacas, com custo médio de produção de US$ 105,00/saca, e que a cotação em bolsa no mês de sua safra seja de US$ 136,50/saca. Você tem receio de queda do preço futuro e decide proteger-se contra variações indesejáveis. Pode então realizar uma operação de hedge.
- Hipótese
- Se houver expansão da oferta do produto, poderá ocorrer redução do preço para US$ 126,50/saca na época da colheita.
- Receita com a venda do produto
- US$ 126,50 x 40.000 sacas = US$ 5.060.000,00.
- Operação de café no mercado futuro
- US$ 136,50 x 40.000 sacas = US$ 5.460.000,00.
- Resultado final da operação
- US$ 5.460.000,00 - US$ 5.060.000,00 = US$ 400.000,00 (valores brutos).
Observe que no resultado final da operação, mesmo com a queda do preço físico do café, você cobriu seus custos de produção (US$ 105,00/saca) e garantiu margem melhor de lucro (US$ 31,50 por saca) com o contrato futuro em bolsa. Caso não tivesse optado pelo contrato futuro, sua margem de lucro seria de US$ 21,50/saca.
No caso inverso, ou seja, quando o preço no mercado físico sobe e você tem uma posição vendida a futuro, você lucra com a venda do produto na época da colheita. Esse lucro adicional compensa a perda no mercado futuro.
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Milho
Especificação do contrato:
- Código:
- *CNI
- Objeto de negociação
- Milho em grão a granel, com odor e aspecto normais, duro ou semiduro, amarelo, da última safra (máximo de 14% de umidade).
- Tamanho do contrato
- 27 toneladas métricas ou 450 sacas de 60 quilos.
- Cotação
- Reais por 60 quilos líquidos.
- Variação mínima de apregoação
- R$ 0,01 por 60 quilos líquidos.
- Meses de Vencimento
- Janeiro, março, maio, julho, setembro e novembro.
- Margem de garantia
- Exige-se margem de garantia de todos os comitentes com posição em aberto, cujo valor é atualizado diariamente pela bolsa de acordo com critérios de apuração de margem para contratos futuros.
*CCM, Contrato Futuro de Milho com Liquidação Financeira; CTM, Contrato Futuro de Base de Preço de Milho do Triângulo Mineiro, MG; COP, Contrato Futuro de Base de Preço de Milho de Cascavel, PR; CRV, Contrato Futuro de Base de Preço de Milho de Rio Verde, GO; e CPG, Contrato Futuro de Base de Preço de Milho de Paranaguá, PR.
O que é?
O milho começou a ser disseminado no mundo após o retorno de Cristóvão Colombo à Europa, depois da descoberta da América, em 1492. O navegador levou consigo amostras do grão.
Em 1848, diante da necessidade de um mercado central para a negociação de commodities, criou-se a Chicago Board of Trade (CBOT), por iniciativa de 82 mercadores locais. Três anos depois, o primeiro dos contratos a termo de milho transacionava o recorde de 3.000 bushels, tornando-se popular entre mercadores e processadores.
O milho é o mais importante insumo do setor de criação animal – principalmente na alimentação de aves e suínos – e também sobressai na área de alimentação humana na forma de seus derivados, como fubá, farinha, óleo, amido etc.
Quanto ao comércio internacional, somente 10% da produção mundial de milho é transacionada, o que demonstra a grande demanda interna dos países que o produzem.
A previsão da produção mundial de milho para a safra 2010/2011, de acordo com o U.S. Department of Agriculture (USDA), é de 814 milhões de toneladas. Os EUA respondem por 316,17 milhões de toneladas (41%), a China por 168 milhões (19%) e o Brasil, terceiro maior produtor, por 55 milhões (6%).
No Brasil, a produção de milho concentra-se na região Centro-Sul (90%), com destaque para os estados do Paraná, que participa com 26% da produção nacional, de Minas Gerais (16%) e de São Paulo (11%).
Exemplo de negociação de contrato futuro
Um produtor de milho tem uma plantação cuja expectativa de produção é equivalente a 4.500 sacas de 60 quilos. Ao verificar a cotação do contrato futuro do produto, ele toma a decisão de assumir uma posição vendida nesse mercado.
Ao fazer isso, ganhará com a queda das cotações.
O contrato futuro de milho tem como tamanho padrão 450 sacas de 60 quilos.
Dessa forma, ele assume aproximadamente uma posição vendida em 10 contratos (4.500 sacas de 60 quilos), ao preço de US$ 19,00/saca, com vencimento em novembro.
Abaixo, segue a tabela que mostra como evoluiria a operação com determinados preços de ajuste.
Data Posição Número de Contratos Preço de Ajuste Ajuste Diário D+0 Vendida 10 19,00 R$0,00 D+1 Vendida 10 18,50 R$2.250,00 D+2 Vendida 10 18,10 R$1.800,00 D+3 Vendida 10 18,30 R$900,00 D+4 Vendida 10 17,50 R$3.600,00 Total R$ 6.750,00
Como o produtor de milho vai vender sua produção no mercado físico a R$ 17,50/saca, conseguirá receita de R$ 78.750,00 (17,50 x 4.500).
Ele recebeu R$ 6.750,00 em ajustes diários, então seu resultado final é de R$ 85.500,00, ou seja, é igual à venda das 4.500 sacas ao preço de R$ 19,00/saca (preço fixado na operação de hedge), como demonstra a tabela abaixo.
Venda Preço Receita Objetivo inicial 4.500 sacas R$19,00 R$85.500,00 Mercado futuro 4.500 sacas R$17,50 R$6.750,00 Mercado à vista 4.500 sacas R$17,50 R$78.750,00 Resultado final 4.500 sacas R$19,00 R$85.500,00 -
Etanol
Especificação do contrato:
- Código:
- ETH
- Objeto de negociação
- Etanol Hidratado Combustível, segundo as especificações da Agência Nacional de Petróleo (ANP).
- Tamanho do contrato
- 30 metros cúbicos (30.000 litros).
- Cotação
- Reais por metro cúbico (1.000 litros) de etanol hidratado, conforme as especificações definidas no item 2, com duas casas decimais, livres de ICMS, PIS/COFINS.
- Variação mínima de apregoação
- R$0,50 (cinquenta centavos) por metro cúbico.
- Oscilação máxima diária:
- Conforme estabelecida pela BM&FBOVESPA. Para o primeiro vencimento em aberto, o limite de oscilação será suspenso nos três últimos dias de negociação. A BM&FBOVESPA poderá alterar o limite de oscilação de preços de qualquer vencimento a qualquer tempo, mesmo no decurso do pregão, mediante comunicado ao mercado com 30 minutos de antecedência.
- Meses de Vencimento
- Todos os meses.
- Número de vencimentos em aberto:
- Conforme autorização da BM&FBOVESPA.
- Data de vencimento e último dia de negociação:
- Último dia útil do mês de vencimento do contrato.
- Dia útil:
- Considera-se dia útil, para efeito deste contrato, o dia em que há pregão na BM&FBOVESPA. Para efeito de liquidação financeira e de atendimento a chamadas de margem e considerar-se-á dia útil o dia que, além de haver pregão na BM&FBOVESPA, não for feriado bancário na praça de Nova Iorque, Estados Unidos da América.
- Day trade:
- São admitidas operações day trade (compra e venda, no mesmo dia de pregão, da mesma quantidade de contratos para o mesmo vencimento), que se liquidarão automaticamente, desde que realizadas em nome do mesmo cliente, por intermédio da mesma corretora e sob a responsabilidade do mesmo Membro de Compensação, ou realizadas pelo mesmo Operador Especial, sob a responsabilidade do mesmo Membro de Compensação. A liquidação financeira dessas operações será realizada no dia útil subsequente.
- Margem de garantia
- Será exigida margem de garantia de todos os comitentes com posição em aberto, cujo valor será atualizado diariamente pela Bolsa, de acordo com os critérios de apuração de margem para contratos futuros.
O que é?
O processo de livre negociação nos mercados de álcool, assim como de açúcar, do Brasil remonta ao início dos anos 1990, quando da extinção do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), órgão governamental que regulava a produção de açúcar e promovia estímulos à produção de álcool.
A finalidade do IAA era assegurar o equilíbrio interno do fornecimento de açúcar e fomentar a fabricação de álcool devido à alta dos preços do petróleo no mercado internacional.
Em 1995, em sintonia com o setor sucroalcooleiro, a BM&F lançou o contrato futuro de açúcar cristal. Há contratos futuros em negociação nos Estados Unidos (New York Board of Trade, Nybot) e na Europa (Euronext.Liffe), baseados respectivamente em açúcar demerara e refinado. Vale ressaltar que o açúcar negociado na BM&F é o cristal especial, de qualidade superior à do demerara e inferior à do refinado.
Em 2000, a bolsa colocou em mercado o contrato futuro de álcool anidro carburante, o primeiro derivativo dessa commodity no mundo. Em março de 2005, a Chicago Board of Trade introduziu o contrato futuro de etanol.
Exemplo de negociação de contrato futuro
Suponha que você, exportador ou unidade produtora, tenha produção estimada de 3.000 m3 ao custo médio de US$ 357,50/m3. Sua preocupação é a queda do preço no momento de comercializar o produto. Para não correr esse risco, você decide fazer uma operação no mercado futuro de etanol. Assim,o preço de venda fica protegido. Imagine que a cotação do etanol em bolsa, no mês de sua comercialização, seja de US$ 397,50/m3.
Hipótese
Na data da comercialização de sua produção, existe grande oferta de etanol no mercado mundial devido ao aumento da produção nos Estados Unidos, o que faz com que os preços caiam para US$ 367,50/m3.
Receita com a venda do produto
US$ 367,50 x 3.000 m3 = US$ 1.102.500,00
Operação de etanol no mercado futuro
US$ 397,50 x 3.000 m3 = US$ 1.192.500,00
Resultado final da operação
US$ 1.192.500,00 - US$ 1.102,500,00 = US$ 90.000,00 (valores brutos)
Observe que no resultado final, mesmo com a queda de preço do metro cúbico, você cobriu seus custos (US$ 357,50/m3) e garantiu melhor margem de lucro (US$ 40,00/m3) com o contrato futuro em bolsa. Caso não tivesse optado pelo contrato futuro, sua margem de lucro seria de US$ 10,00/m3.
No caso inverso, ou seja, quando o preço do etanol sofre alta pelo aumento da demanda, você lucra com a venda do produto no mercado físico. Esse lucro compensa a perda no mercado futuro.
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Soja
Especificação do contrato:
- Código:
- SFI
- Objeto de negociação
- Soja em grão a granel, tipo exportação, com teor de óleo base de 18,5% e até 14% de umidade.
- Tamanho do contrato
- 27 toneladas métricas ou 450 sacas de 60 kg.
- Cotação
- Dólares dos Estados Unidos por saca de 60 kg.
- Variação mínima de apregoação
- US$ 0,01 por saca de 60 quilos.
- Meses de Vencimento
- Março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro e novembro.
- Margem de garantia
- Exige-se margem de garantia de todos os comitentes com posição em aberto, cujo valor é atualizado diariamente pela bolsa de acordo com critérios de apuração de margem para contratos futuros.
O que é?
Uma das culturas mais antigas de que se tem notícia, a soja é plantada pelos chineses há cerca de 5.000 anos. Sua produção fora dessa região foi pequena até o início do século XX. Em 1936, a CBOT introduziu na negociação o primeiro contrato futuro de soja do mundo. No começo da década de 1950, lançou os futuros de óleo e farelo de soja, completando o complexo do produto.
A importância da soja na economia mundial está ligada à produção de óleo e farelo, principais subprodutos do processo de moagem. O óleo, destinado ao consumo humano, participa com 30% da demanda mundial, enquanto o farelo, utilizado como componente proteico na formulação de rações, representa 69% do consumo mundial.
A superioridade competitiva da soja em relação aos demais vegetais oleaginosos e proteicos se explica por sua facilidade de adaptação às diversas regiões, notadamente as fronteiras agrícolas brasileiras.
A estimativa de produção mundial de soja para a safra 2010/2011 é de 219 milhões de toneladas, e os Estados Unidos respondem por 78 milhões de toneladas (35%), o Brasil por 62 milhões (28%) e a Argentina por 39 milhões (17%). Esses três países totalizam 80% da produção mundial.
Exemplo de negociação de contrato futuro
Você deseja fixar o preço de venda da soja a ser colhida utilizando contratos futuros na BM&FBOVESPA. O produto no mercado à vista vale US$ 19,00/ saca. Você receia que os preços caiam no futuro. Supondo que os preços do mercado futuro no mês de vencimento mais próximo de sua colheita estejam em US$ 20,87/ saca, você decide vender um contrato (450 sacas de 60 kg) por US$ 20,87/ saca, preço que considera ideal com base em seus custos de produção.
Hipótese
Se houver queda do preço do produto, poderá ocorrer redução do preço da soja para US$ 18,00/ saca na época da colheita.
Receita com a venda do produto
US$ 18,00/saca x 450 sacas = US$ 9.391,50
Operação de soja no mercado
(US$ 20,87/saca - US$ 18,00/saca) x 450 sacas = US$ 1.291,50
Resultado final da operação
US$ 9.391,50 + US$ 1.291,50 = US$ 10.683,00 (valores brutos)
Observe que o resultado final da operação – a soma do valor do produto no dia do vencimento e o resultado da operação no futuro – garantiu o preço de US$ 20,87/saca, que você considerou ideal.
No caso inverso, ou seja, se o preço no mercado físico subir e você tiver uma posição vendida a futuro, lucrará com a venda do produto na época da colheita. Esse lucro compensará a perda incorrida no mercado futuro.
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Crédito de Carbono
Especificação do contrato:
Créditos de carbono podem ser negociados no mercado à vista por meio do sistema eletrônico de leilões. As regras de negociação e credenciamento dos participantes de cada leilão serão divulgadas pela bolsa por meio de editais a ser publicados no site da BM&FBOVESPA antes da data de realização de cada leilão.
O que é?
Mercado de carbono na BM&F é um ambiente eletrônico de negociação desenvolvido para viabilizar, de forma ágil, segura e transparente, o fechamento de negócios com Redução Certificada de Emissões (RCE), gerada por projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). As operações são feitas por meio de leilões eletrônicos. Realizados via web, esses leilões são agendados pela BM&F a pedido de entidades – públicas ou privadas – que desejam oferecer seus créditos de carbono no mercado.
Atualmente, o mercado de carbono na BM&F possibilita a negociação de créditos no mercado à vista. Também está prevista a criação de módulo específico para negociação a termo de créditos que ainda estejam em processo de geração e certificação.
Os créditos de carbono foram criados em 1997, quando foi aprovado o texto final do Protocolo de Kyoto, principal tratado climático do mundo. O protocolo estabelece metas de redução das emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE) nos países desenvolvidos – mais de 35,5 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera por ano. Aqueles que não conseguirem atingir esses objetivos podem compensar o problema comprando créditos de carbono gerados em projetos de países em desenvolvimento, que não têm metas a cumprir. Por convenção, 1 tonelada de dióxido de carbono (CO2) corresponde a um crédito de carbono.
Para gerar créditos de carbono, os projetos precisam ser aprovados pelo MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), criado pelo Protocolo de Kyoto. A partir daí, são negociados em bolsas de mercadorias.
Mercado de carbono
Termo popular utilizado para denominar os sistemas de negociação de unidades de redução de emissões de GEEs. Em linhas gerais, há dois tipos de mercado voltado à negociação de créditos de carbono: mercados em linha com o Protocolo de Kyoto e mercados "voluntários" (ou "Não Kyoto").
No primeiro caso, os créditos são negociados com o objetivo principal de facilitar o abatimento das metas de redução de emissões, estabelecidas no âmbito do protocolo. No segundo tipo de mercado, a negociação visa ao abatimento de metas estabelecidas voluntariamente por empresas ou governos locais, fora do protocolo. Nesses mercados ("Kyoto" e "Não-Kyoto"), é possível ocorrer a negociação de créditos gerados por projetos de redução de emissões (por exemplo, projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e projetos de Implementação Conjunta) e/ou de permissões.
Como operar
O mercado de carbono na BM&FBOVESPA é um ambiente eletrônico de negociação desenvolvido para viabilizar, de forma ágil, segura e transparente, o fechamento de negócios com créditos gerados por projetos de MDL e no âmbito do mercado voluntário.
As operações são realizadas por meio de leilões eletrônicos, via web, e agendadas pela BM&FBOVESPA a pedido de entidades públicas ou privadas que desejem ofertar seus créditos de carbono no mercado.
Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)
O MDL é um dos instrumentos de flexibilização estabelecidos pelo Protocolo de Kyoto para o alcance das metas de redução de emissão de GEEs definidas para os países que o ratificaram. Em síntese, a proposta do MDL (descrita no artigo 12 do protocolo) consiste em que cada tonelada de CO2 equivalente (tCO2e) que deixar de ser emitida ou for retirada da atmosfera por um país em desenvolvimento poderá ser negociada no mercado mundial, criando-se novo atrativo para a redução das emissões globais.
Mercados voluntários
São os mercados de crédito de carbono cujas regras não são regidas ou não se relacionam com as metas e/ou mecanismos estabelecidos no Protocolo de Kyoto.
Mercado de permissões
Sistema de negociação mais apropriado aos países do Anexo B (nações industrializadas), pois se relaciona à fixação de limites sobre o total de emissões de GEEs dentro de determinada área geográfica. Por exemplo, o governo de um país do Anexo B estabelece limites máximos de emissões permitidas para os diversos setores industriais locais. Nesse contexto, as empresas têm permissão para negociar suas eventuais sobras com outras companhias que necessitam dessas permissões para o cumprimento de suas metas. O primeiro modelo desse sistema a entrar em vigor no mundo é o europeu, em 2005, seguindo as proposições do Protocolo de Kyoto.
Mercado de Redução Certificada de Emissão (RCE)
Mercado gerado pelas transações de compra e venda de RCE, que poderá ser adquirida, inclusive, por empresas situadas em países do Anexo B do Protocolo com o objetivo de abater suas metas de redução de emissões. A RCE é uma unidade emitida pelo Conselho Executivo do MDL (ONU), em decorrência da atividade de um projeto de MDL. Representa a remoção ou a não emissão de uma tonelada métrica equivalente de dióxido de carbono pelo empreendimento.
Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE)
É o conjunto de instituições, regulamentações, sistemas de registro de projetos e centro de negociação em processo de consolidação no Brasil, pela BM&FBOVESPA, que tem o objetivo de estimular o desenvolvimento de projetos de redução de emissões e viabilizar negócios no mercado ambiental de forma organizada e transparente. A bolsa fornece aos participantes desse mercado um banco de projetos de MDL e um sistema eletrônico de leilões para a negociação de redução de emissões.
Banco de projetos BM&FBOVESPA
Sistema eletrônico para registro de informações relacionadas a projetos de MDL que já tenham sido validados por EODs (Entidades Operacionais Designadas, certificadoras credenciadas pelas Nações Unidas). Além disso, investidores qualificados – e pré-cadastrados pela bolsa – poderão divulgar suas intenções em adquirir no mercado créditos já gerados ou que estejam em processo de geração por projetos de MDL.
Intenções de compra no Banco de Projetos
Entidades governamentais, entidades multilaterais, ONGs e empresas, além de outras categorias de investidores a ser especificadas pela BM&FBOVESPA, poderão divulgar no Banco de Projetos suas intenções de compra de RCE nos mercados à vista e a termo, mediante cadastramento para essa finalidade.
Negociação da Redução Certificada de Emissão (RCE)
Na primeira etapa, a RCE será negociada, no mercado à vista, através do sistema eletrônico de leilões. As regras de negociação e credenciamento dos participantes de cada leilão serão divulgadas em editais da bolsa publicados no site da BM&FBOVESPA antes da data de realização de cada leilão.
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Açúcar e Álcool
Especificações dos contratos futuros de açúcar:
- Objeto de negociação:
- Açúcar cristal especial, com mínimo de 99,7 graus de polarização, máximo de 0,08% de umidade, máximo de 150 de cor ICUMSA International Commission for Uniform Methods of Sugar Analysis), máximo de 0,07% de cinzas, para entrega no município de São Paulo (SP).
- Cotação:
- Dólares dos Estados Unidos da América/saca de 50 quilos líquidos, com duas casas decimais, livres de quaisquer encargos, tributários ou não-tributários.
- Vencimento:
- Sexto dia útil do mês de vencimento. Os meses de vencimento autorizados são fevereiro, abril, julho, setembro e novembro.
- Tamanho do contrato:
- 270 sacas de 50 quilogramas líquidos.
Especificações dos contratos futuros de álcool:
- Objeto de negociação:
- Álcool anidro para fins carburantes, conforme especificações técnicas definidas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).
- Cotação:
- Reais por metro cúbico (1.000 litros), com duas casas decimais, livres de quaisquer encargos, tributários ou não-tributários.
- Vencimento:
- Sexto dia útil do mês de vencimento, estando todos os meses calendário autorizados.
- Tamanho do contrato:
- 30 metros cúbicos a 20 graus Celsius.
O que é?
O processo de livre negociação nos mercados de açúcar e álcool no Brasil remonta ao início dos anos 1990, quando da extinção do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), órgão governamental que regulava a produção de açúcar e promovia estímulos à produção de álcool. A finalidade do IAA era assegurar o equilíbrio interno no fornecimento de açúcar e fomentar a fabricação de álcool, devido à alta dos preços do petróleo no mercado internacional.
Em 1995, a BM&F, em sintonia com o setor sucroalcooleiro, lançou o contrato futuro de açúcar cristal. Há contratos futuros em negociação nos Estados Unidos (New York Board of Trade) e na Europa (Euronext.Liffe), mas com base em açúcar demerara e refinado, respectivamente. Vale ressaltar que o açúcar negociado na BM&F é o cristal especial, que é de qualidade superior ao demerara e inferior ao refinado. No ano 2000, a Bolsa colocou em mercado o contrato futuro de álcool anidro carburante, o primeiro contrato derivativo dessa commodity no mundo. Em março de 2005, a Chicago Board of Trade introduziu o contrato futuro de etanol.
Riscos
Há diversas empresas ou setores da economia sujeitos aos riscos de oscilação de preço do açúcar ou do álcool. Os exemplos listados a seguir buscam ilustrar situações potenciais de risco de preço com as quais os participantes dessa cadeia produtiva podem deparar-se.
- Empresas de insumo:
- empresas de fertilizantes, defensivos, adubos e outros que fazem suas vendas atreladas ao produto. Se as vendas forem vinculadas a uma mercadoria e se o faturamento ocorrer na safra, a empresa de insumo correrá o risco de queda de preço – e a operação de hedge mais natural seria a venda de contratos futuros de açúcar (ou de álcool, dependendo do contrato de fornecimento com seu cliente).
- Produtores de cana:
- geralmente, são remunerados pelo mix de produção das usinas (percentual da cana destinada ao açúcar e ao álcool), incorrendo, assim, no risco de queda de preço. O hedge natural seria uma posição vendida em contratos futuros.
- Usineiros:
- defrontam-se com o risco de, à época do produto acabado (açúcar ou álcool), os preços caírem abaixo do custo de produção. Nesse caso, o hedge natural seria uma operação de venda de contratos futuros. Mas os usineiros podem também assumir posição comprada, nas situações em que a posição no mercado futuro substitui seu estoque vendido antecipadamente ou, ainda, em que não tenham produzido por algum motivo e precisem honrar contratos fechados anteriormente com seus compradores.
- Indústrias:
- como o açúcar ou o álcool podem constituir insumo para fabricação de determinado produto acabado (refrigerante, por exemplo), há naturalmente necessidade de proteção de preço, pois, com a elevação de preço dessa matéria prima, a indústria pode não conseguir repassar esse aumento para o consumidor de seu produto. Portanto, a operação de hedge correta para esse caso seria assumir posição comprada em mercados futuros.
- Distribuidoras de combustíveis:
- da mesma forma que as indústrias, as distribuidoras necessitam de proteção tanto para a alta de preço do álcool (hedge de compra) como para defesa de seus estoques desse produto (hedge de venda).
- Traders:
- podem assumir os dois lados nos mercados futuros. Dependendo da situação específica, a posição de um trader nos mercados futuros pode ser comprada ou vendida, de acordo com sua exposição ao risco no mercado físico (exportação/importação).
- Fundos de investimento:
- são os agentes que proporcionam liquidez ao mercado, assumindo posições compradas e vendidas em contratos futuros. Contratos futuros de açúcar e álcool na BM&F. O contrato futuro de açúcar cristal introduzido pela BM&F em 1995 era cotado em dólares e liquidado por entrega física. Mais tarde, o contrato foi reformulado, para contemplar a alternativa de liquidação financeira com base em índice de preços calculado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), o qual representava a média de preços do produto no Estado de São Paulo.
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Algodão
Especificações dos contratos futuros de algodão:
- Objeto de negociação:
- Algodão em pluma, embalado em fardos, base tipo middling, conforme padrão universal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), para entrega no município de São Paulo – SP.
- Cotação:
- Centavos de dólar dos Estados Unidos por libra-peso
- Vencimento:
- Décimo dia útil anterior ao primeiro dia útil do mês de vencimento, sendo os meses de vencimento: março, maio, julho, outubro e dezembro
- Tamanho do contrato:
- 12,5 toneladas métricas, equivalentes a 27.557,50 libraspeso
O que é?
Em decorrência da nova realidade do mercado de algodão, no qual se processa maior participação nas exportações, a BM&F relançou no dia 7 de novembro de 2002, o contrato futuro dessa commodity. A modificação em algumas especificações teve por objetivo adequar esse instrumento à nova realidade do mercado e, assim, atrair trader nacional e os não-residentes para fortalecerem a cadeia dessa commodity.
A cotação futura do algodão é livre de impostos, permitindo maior visibilidade aos preços futuros e aproximando-se dos preços de exportação.