Os derivativos financeiros são utilizados por pessoas e empresas que pretendem proteger-se do risco de oscilações de câmbio, taxas de juros e índices, entre outros. Alguns negócios estão expostos a variações cambiais, e é preciso utilizar estratégias de hedge por meio de contratos futuros de taxa de câmbio. O mesmo é válido para as empresas expostas a variações das taxas de juros, que podem proteger-se com contratos futuros de DI, e para as expostas à inflação, que podem proteger-se com contratos futuros de índices de inflação.
Há os derivativos negociados em bolsa e os negociados em mercado de balcão. Estes últimos são feitos "sob medida", e existe grande flexibilidade na negociação dos itens do contrato, tais como qualidade, quantidade, garantias, liquidação etc. Alguns exemplos desses derivativos são os contratos a termo, os swaps e as opções flexíveis:
- Contratos a termo são acordos de compra e venda de um ativo a preço definido, estabelecido pelas partes, para liquidação em data futura específica. Esses contratos são intransferíveis, e sua negociação pode ocorrer também em bolsa.
- Swaps são acordos privados entre duas empresas ou instituições financeiras para troca futura de fluxos de caixa, respeitada uma fórmula preestabelecida. É um contrato bilateral por meio do qual as partes concordam em liquidar no futuro uma operação realizada no presente com a finalidade de eliminar o risco representado pelo descasamento de ativos e passivos.
- Opções flexíveis são acordos privados entre duas partes nos quais os termos dos contratos são negociados livremente, sem as limitações impostas nos contratos padronizados. Mediante um pagamento inicial, uma das partes tem o direito de comprar ou vender o ativo em determinada data e por preço preestabelecido. A outra parte da operação recebe esse pagamento como remuneração por sua exposição ao risco.
Os derivativos representam a forma de negociar a oscilação de preços dos ativos, sem haver, necessariamente, a negociação física do bem ou da mercadoria. Sua utilização aumenta a velocidade com que os agentes de mercado trocam de posição, ou seja, migram do ativo A para o ativo B, sem ter de se desfazer do ativo A.
-
Ouro
Especificação do contrato:
- Objeto de negociação
- Ouro fino, sob a forma de lingote, fundido por empresa refinadora e custodiado em instituição depositária, ambas credenciadas pela BM&F.
- Cotação
- Reais por grama, com até três casas decimais.
- Variação mínima de apregoação
- R$ 0,001 por grama.
- Oscilação máxima diária
- 5% sobre o valor do terceiro vencimento em aberto, calculados sobre o preço de ajuste do pregão anterior. Os dois primeiros vencimentos abertos à negociação não estão sujeitos a limites de oscilação. A bolsa poderá, a qualquer momento, alterar os limites de oscilação, bem como sua aplicação aos diversos vencimentos, inclusive para aqueles que habitualmente não têm limites.
- Unidade de negociação
- Lote padrão de 250 gramas de ouro fino.
- Meses de Vencimento
- Todos os meses.
- Número de vencimentos em aberto
- No máximo doze.
- Data de vencimento e último dia de negociação
- Último dia útil do mês anterior ao de vencimento.
- Day trade
- São admitidas operações de compra e venda para liquidação diária (day trade), desde que realizadas no mesmo pregão, pelo mesmo cliente (ou operador especial), intermediadas pela mesma corretora de mercadorias e registradas pelo mesmo membro de compensação. Os resultados auferidos nessas operações são movimentados financeiramente no dia útil seguinte ao de sua realização.
- Ajuste diário
- As posições em aberto ao final de cada pregão serão ajustadas com base no preço de ajuste do dia, estabelecido no call de fechamento, conforme regras da bolsa, com movimentação financeira em D+1. O ajuste diário será calculado de acordo com as seguintes fórmulas:
-
- ajuste das operações realizadas no dia
- AD = (PAt – PO) × 250 × n
-
- ajuste das posições em aberto no dia anterior
- AD = (PAt – PAt–1) × 250 × n
-
- Condições de liquidação no vencimento
- A liquidação física pelo vendedor será realizada no dia útil seguinte ao último dia de negociação, com a entrega de 249,75 gramas de ouro fino, contido em lingotes de 250 ou 1.000 gramas, com teor de pureza de no mínimo 999,0 partes de ouro fino para cada 1.000 partes de metal, ou em lingotes de 100 ou 400 onças, com teor de pureza de no mínimo 995,0 partes de ouro fino para cada 1.000 partes de metal. A liquidação financeira pelo comprador será efetuada no dia útil subsequente ao último dia de negociação, com o pagamento do valor de liquidação definido pela seguinte fórmula: VL = P × 249,75, onde: VL = valor de liquidação por contrato; P = preço de ajuste do último dia de negociação.
- Hedgers
- Fundidores e fornecedores de ouro, joalherias, mineradoras e empresas assemelhadas, a critério da Bolsa.
- Margem de garantia
- Valor fixo por contrato, devida em D+1, com redução de 20% para hedgers. A margem de garantia é alterável a qualquer momento, a critério da bolsa.
- Ativos aceitos como margem
- Dinheiro, ouro e, a critério da bolsa, títulos públicos e privados, cartas de fiança, apólices de seguro, ações e cotas de fundos fechados de investimento em ações.
- Custos operacionais
-
- Taxa operacional básica
- Operação normal: 0,25%; day trade: 0,1%. A taxa operacional básica, sujeita a valor mínimo estabelecido pela bolsa, é calculada sobre o preço de ajuste do pregão anterior do primeiro vencimento em aberto.
- Taxa de liquidação no vencimento
- 0,3% sobre o valor de liquidação.
- Taxas da bolsa (emolumentos e contribuição para o Fundo de Garantia)
- 6,32% da taxa operacional básica ou da taxa de liquidação no vencimento.
- Taxa de registro
- Valor fixo divulgado pela BM&F. Os custos operacionais são devidos no dia útil seguinte ao de realização da operação no pregão. Os sócios efetivos pagarão no máximo 75% da taxa operacional básica e da taxa de liquidação no vencimento, e 75% dos demais custos operacionais (taxas de registro e da Bolsa). Os investidores institucionais pagarão 75% das taxas de registro e da bolsa.
- Normas complementares
- Fazem parte integrante deste contrato a legislação em vigor e as normas e os procedimentos da BM&F, definidos em seus estatutos sociais, regulamento de operações e ofícios circulares, bem como no protocolo de intenções entre as bolsas de valores, de mercadorias e de mercados de liquidação futura, de 25/5/88, observadas, adicionalmente, as regras específicas do Banco Central do Brasil.
O que é?
No Brasil, em 31/01/1986, ocorreu o pregão inaugural da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Um dos mercados existentes era o disponível de ouro. Ao adquirir posições no mercado spot de ouro, o investidor, de certa forma, aplicava também em dólar, uma vez que o preço do metal tinha paridade com o da moeda americana. A partir de novembro de 1987, a bolsa passou a oferecer para negociação contratos futuros de ouro, além de contratos a termo e de opções sobre o disponível. Desde então, distinguem-se claramente algumas etapas do funcionamento do mercado futuro de ouro da bolsa.
Formação do preço à vista
No mercado spot o esse reço resulta, basicamente, da demanda líquida governamental e da demanda líquida dos investidores. A primeira está ligada à decisão da política de estoques do metal, influenciada pelos mais diversos fatores políticos e econômicos.
Já demanda líquida dos investidores associa-se a uma combinação de fatores (acumulação, especulação e investimentos) e de expectativas em relação ao ouro e às outras variáveis de mercado: inflação, taxa de juros, variação cambial etc. Além dessas, há o volume de produção e o nível de consumo industrial, entre outras.
Formação de preços futuros
Em geral, o preço futuro de um ativo é obtido com a aplicação de uma taxa de juros a seu preço à vista. No entanto, no caso de ativos que podem ser armazenados, como o ouro, o custo de sua manutenção em estoque tem influência na formação de seu preço futuro.
Operações no mercado futuro
Uma das operações realizadas no mercado futuro de ouro é o hedge.
O objetivo é minorar eventuais prejuízos decorrentes de oscilações não favoráveis dos preços. Assume-se no mercado futuro posição oposta à detida no mercado à vista.
Ao operar futuros, fundidores e fornecedores de ouro, joalherias e mineradoras, entre outros, podem realizar um seguro contra flutuações do preço do ouro.
Nos mercados futuros desse produto também se realizam operações de especulação, nas quais os agentes não possuem o metal em mãos e não têm interesse em liquidar o contrato por entrega física.
Os especuladores compram (ou vendem) contratos futuros de ouro com o objetivo de ganhar com a tendência de alta (baixa) dos preços do metal. Note-se que essa estratégia proporciona maior alavancagem em relação às transações com opções (em que se faz necessário o pagamento de um prêmio) ou com ouro spot, uma vez que será preciso apenas fazer frente ao depósito de margem de garantia e a eventuais pagamentos de ajustes diários.
O preço do ouro é influenciado por diversos fatores pouco comuns em outras commodities. Além de ser uma reserva de valor, esse metal vem ganhando importância na diversificação de portfólios, já que a volatilidade de seus preços é relativamente inferior à de outras mercadorias e ativos financeiros e a correlação entre os retornos do metal e das variáveis mencionadas é bastante baixa.
Os mercados da BM&F
Na BM&F, estão abertos para negociação contratos de ouro no mercado disponível, no futuro e no de opções, além do mercado a termo. Veja abaixo cada um dos contratos do complexo financeiro- ouro disponíveis atualmente para negociação.
Contratos Alternativos
Contrato OZ 1
- Objeto de Negociação
- Ouro fino, sob forma de lingote, fundido por empresa refinadora e custodiado em instituição depositária, ambas credenciadas pela BM&FBOVESPA.
- Tamanho de Contrato
- Lote padrão de 250 gramas de ouro fino.
- Cotação
- Reais por grama, com até três casas decimais.
- Variação mínima de apregoação
- R$ 0,001 por grama.
- Meses de vencimento
- Todos os meses.
- Margem de garantia
- Exige-se margem de garantia de todos os comitentes com posição em aberto, cujo valor será atualizado diariamente pela bolsa, de acordo com critérios de apuração de margem para contratos futuros.
Contrato OZ 2
- Taxa operacional básica
- Operações (normal e day trade): 0,4%. A taxa operacional básica é calculada sobre o valor da operação.
- Taxas da bolsa (emolumentos e contribuição para o Fundo de Garantia)
- 6,32% da taxa operacional básica. Os custos operacionais são devidos no dia útil seguinte ao de realização da operação no pregão. Os sócios efetivos pagarão no máximo 75% da taxa operacional básica e 75% das taxas da bolsa. Os investidores institucionais pagarão 75% das taxas de registro e da bolsa.
- Normas complementares
- Fazem parte integrante deste contrato a legislação em vigor e as normas e os procedimentos da BM&F, definidos em seus estatutos sociais, regulamento de operações e ofícios circulares, bem como no protocolo de intenções entre as bolsas de valores, de mercadorias e de mercados de liquidação futura, de 25/5/88, observadas, adicionalmente, as regras específicas do Banco Central do Brasil.
Contrato OZ 3
- Objeto de Negociação
- Ouro fino, sob a forma de lingote, fundido por empresa refinadora e custodiado em instituição depositária, ambas credenciadas pela BM&F.
- Taxa operacional básica
- Operações (normal e day trade): 0,4%. A taxa operacional básica é calculada sobre o valor da operação.
- Taxas da bolsa (emolumentos e contribuição para o Fundo de Garantia)
- 6,32% da taxa operacional básica. Os custos operacionais são devidos no dia útil seguinte ao de realização da operação no pregão. Os sócios efetivos pagarão no máximo 75% da taxa operacional básica e 75% das taxas da bolsa. Os investidores institucionais pagarão 75% das taxas de registro e da bolsa.
- Normas complementares
- Fazem parte integrante deste contrato a legislação em vigor e as normas e os procedimentos da BM&F, definidos em seus estatutos sociais, regulamento de operações e ofícios circulares, bem como no protocolo de intenções entre as bolsas de valores, de mercadorias e de mercados de liquidação futura, de 25/5/88, observadas, adicionalmente, as regras específicas do Banco Central do Brasil.
-
Índice de Ações
Especificação do contrato:
- Objeto de negociação
- Índice de ações da Bolsa de Valores de São Paulo, denominado Índice Bovespa (Ibovespa)
- Cotação
- Pontos de índice, sendo cada ponto equivalente ao valor em reais estabelecido pela BM&FBOVESPA
- Variação mínima de apregoação
- 5 pontos de índice
- Forma de negociação
- Pregão eletrônico (GTS) e viva-voz
- Horário de negociação
- www.bmf.com.br (Boletim/Normas de Negociação)
- Tamanho do contrato
- Ibovespa futuro multiplicado pelo valor em reais de cada ponto, estabelecido pela BM&FBOVESPA
- Oscilação máxima diária
- www.bmf.com.br (Boletim/Indicadores/Outros Indicadores)
- Limites de posição
- www.bmf.com.br (Boletim/Indicadores/Outros Indicadores)
- Último dia de negociação
- Quarta-feira mais próxima do dia 15 do mês de vencimento. Se nesse dia for feriado ou não houver pregão na BM&FBOVESPA, a data de vencimento será o dia útil subsequente
- Meses de vencimento
- Meses pares. A BM&FBOVESPA poderá, a seu critério, quando as condições de mercado assim exigirem, autorizar a negociação de vencimentos em meses ímpares
- Código
- IND
- Liquidação
- Financeira no dia útil seguinte ao último dia de negociação, pelo valor do Ibovespa de liquidação divulgado pela BOVESPA
- Volume negociado
- www.bmf.com.br (Boletim/Cotações e Volumes/Volume Geral)
- Margem de garantia
- Será exigida margem de garantia de todos os comitentes com posição em aberto, cujo valor será atualizado diariamente pela bolsa, de acordo com critérios de apuração de margem para contratos futuros
O que é?
Índice de ações são indicadores de desempenho de um conjunto de ações que mostram a valorização de um determinado grupo de papéis ao longo do tempo. Os preços das ações podem variar por fatores relacionados à empresa ou externos, como o crescimento do país, do nível de emprego e da taxa de juro. Assim, as ações de um índice podem apresentar comportamento diferente no mesmo período, ou seja, valorizar-se ou desvalorizar-se.
Carteira teórica
É um grupo de ações no qual se fará o investimento teórico representado pelo índice. Isto é, são as ações escolhidas para compor o índice.
Finalidade
Os índices de ações servem como indicador médio do comportamento do mercado acionário como um todo, ou de um segmento econômico específico do mercado (índices restritos e setoriais). Assim, os índices são desenhados de modo a mostrar se as ações do mercado, em média, se valorizaram ou desvalorizaram em um dado período de tempo. Os índices de ações são calculados pelas bolsas de valores ou por instituições especializadas.
Quantidade da carteira teórica
É a quantidade de cada ação dentro da carteira, ou seja, quantas ações de cada companhia/tipo da ação (PN, ON) serão incluídas na carteira do índice.
Ibovespa
O Índice Bovespa (Ibovespa) é o mais importante indicador do desempenho do mercado de ações brasileiro, pois retrata o comportamento das principais ações negociadas na BM&FBOVESPA. Ele é formado a partir de uma aplicação imaginária, em reais, em uma quantidade teórica de ações (carteira). Sua finalidade básica é servir como indicador médio do comportamento do mercado. Para tanto, as ações que fazem parte do índice representam mais de 80% do número de negócios e do volume financeiro negociado no mercado à vista. Como as ações que fazem parte dessa carteira têm grande representatividade, podemos dizer que, se a maioria delas estiver subindo, o mercado, medido pelo Índice Bovespa, está em alta e se estiver caindo, está em baixa.
IBrX
O IBrX – Índice Brasil é um índice de preços que mede o retorno de uma carteira composta por 100 ações selecionadas entre as mais negociadas na BM&FBOVESPA, em termos de número de negócios e volume financeiro. Também há o IBrX-50, composto por uma carteira de 50 ações.
Critérios de inclusão
Cada índice tem um objetivo (por exemplo, representar todo o mercado ou apenas um segmento dele), e portanto há critérios específicos de escolha das ações que irão compor sua carteira. São os chamados de "critérios de inclusão" e constam das metodologias dos índices da BM&FBOVESPA.
Mudanças do mercado
Periodicamente, são realizadas reavaliações para que o índice acompanhe as mudanças do mercado e continue representando fielmente o seu comportamento.
Na BM&FBOVESPA, as revisões são feitas a cada quatro meses (com base nos dados de negociação dos 12 meses anteriores). Verifica-se se alguma ação ainda não pertencente atende aos critérios de inclusão (e nesse caso ela será incorporada à nova carteira) e se as ações incluídas nos índices continuam cumprindo esses critérios.
Se uma ação não atende mais aos critérios necessários, será retirada da carteira, conforme estabelecido na metodologia de cada índice. As vigências das carteiras dos índices da bolsa são: janeiro a abril; maio a agosto; setembro a dezembro. A inclusão ou exclusão de uma ação da carteira de um índice não reflete os méritos da companhia em si. Sua eventual remoção reflete apenas a estrutura corrente do índice, e o fato de que a ação não mais atende aos critérios para integrar tal índice. Muitas dessas companhias podem ser excelentes investimentos quando analisadas individualmente.
Tipos
- Índice de preços:
- indicador que considera apenas as variações dos preços das ações, ajustando as quantidades teóricas exclusivamente para proventos em ações. Outros proventos em dinheiro (p. ex. dividendos, direitos de subscrição etc.) não são levados em consideração na apuração desse índice.
- Índice de retorno total:
- valor do índice de preços acrescido do reinvestimento de dividendos e outros proventos distribuídos pelas empresas emissoras. Os proventos são reinvestidos no índice na data "ex-provento" (data em que a ação começa a ser negociada com o provento já descontado do seu valor). Este índice mede o retorno total das ações componentes de sua carteira.
- Índices amplos:
- representam o mercado como um todo. Podem ser compostos por todas as ações listadas naquele mercado ou por um grupo de ações que têm significativa participação na negociação total e, assim, refletem de modo acurado o desempenho médio de todas as ações (p. ex., o Ibovespa representa no mínimo 80% do número de negócios e do volume financeiro transacionados no mercado à vista e também aproximadamente 70% da capitalização das empresas negociadas).
- Índices restritos:
- representam o comportamento de uma determinada parte do mercado, como o grupo das ações mais negociadas ("blue chips") ou o grupo das ações bem conceituadas junto aos investidores, mas que não estão incluídas entre as mais negociadas (ações de "segunda linha").
- Índices setoriais:
- representam o comportamento de setores econômicos específicos (p. ex. energia elétrica, telecomunicações, metalurgia etc.), sendo compostos exclusivamente por ações de indústrias desses setores.
Variação
É a diferença entre os valores de um determinado índice em dois instantes considerados, usualmente medida em termos percentuais.
Cálculo
Os índices da BM&FBOVESPA são calculados em tempo real (a cada 30 segundos), sendo as carteiras valorizadas com os últimos preços das ações componentes registrados até o momento do cálculo. Dessa forma, o índice de abertura é o primeiro índice calculado no dia, o índice mínimo é o menor valor registrado e o índice máximo é o maior valor registrado no dia. O índice de fechamento (ou último) é calculado no encerramento do pregão regular, usando-se os preços de fechamento das ações componentes da carteira.
Índice médio
A BM&FBOVESPA calcula dois tipos de índice médio:
- Índice médio aritmético:
- a cada 30 segundos, os índices são calculados usando-se os últimos preços das ações componentes registrados até o momento do cálculo ("índices instantâneos"). O índice médio aritmético é a soma de todos os índices instantâneos do dia dividida pelo número de índices calculados.
- Índice médio ponderado:
- calculado utilizando-se os preços médios ponderados das ações componentes (volume financeiro da ação negociado no mercado à vista, lote padrão, dividido pela quantidade de ações negociadas no dia), após o fechamento do pregão. Dizer que o índice "subiu" ou "caiu" significa que, em média, as ações componentes de sua carteira valorizaram-se (em caso de alta do índice) ou se desvalorizaram (em caso de queda do índice).
Bolsa "em alta", bolsa "em baixa" ou bolsa "estável"
Diz-se que a bolsa fechou "em alta" quando o índice de fechamento de determinado pregão é superior ao índice de fechamento do pregão anterior. Analogamente, a bolsa fechou "em baixa" quando o índice de fechamento de determinado pregão é inferior ao índice de fechamento do pregão anterior e "estável" quando o índice de fechamento de determinado pregão está no mesmo nível do índice de fechamento do pregão anterior.
Na BM&FBOVESPA, o índice atualmente utilizado para verificar se a bolsa fechou em alta ou em baixa é o Ibovespa, por ser o mais tradicional e o mais divulgado pela mídia. Assim, por exemplo, se o Ibovespa fechou em um certo dia em 10.000 pontos e, no dia seguinte, em 10.500 pontos, houve uma alta de 5%.
Previsão de tendência
O movimento dos índices depende de vários fatores, tais como lucros e perspectivas das companhias integrantes da carteira, o que sempre dependerá do nível de informação e das expectativas econômicas de quem faz a análise. É importante ressaltar que análises de movimentos passados do índice devem ser cuidadosas, pois as conjunturas econômicas mudam com o tempo, refletindo-se de maneira singular no mercado de ações.
Medição de um índice
Dividindo-se o número de pontos do índice em um dado momento pelo número de pontos do índice no fechamento dos negócios de uma data anterior (subtraindo-se 1 e multiplicando-se por 100 o resultado para o cálculo da rentabilidade), obtém-se o quanto, percentualmente, o índice subiu ou caiu nesse período.
Limite de alta
Não há limite de alta para um índice, ou seja, os preços das ações podem subir ilimitadamente. Porém mais importante do que o nível de alta do índice é a tendência de alta dos preços sinalizada pelo mercado.
Limite de baixa
O limite de queda dos índices não é fixado pela bolsa, mas adota-se para o Índice Bovespa um mecanismo chamado de "interruptor de circuito" (circuit breaker), que consiste na interrupção das negociações quando o Ibovespa atinge um determinado percentual de queda. Esse parâmetro foi determinado de acordo com a volatilidade histórica do índice. O mecanismo de circuit breaker tem o objetivo de amenizar quedas do mercado em situações que se mostram anormais e, portanto, deve ser utilizado apenas em situações atípicas, pois seu uso frequente pode acabar elevando a volatilidade do mercado, gerando um efeito inverso ao pretendido. É ativado tomando-se por base o valor de fechamento do Ibovespa do dia anterior, da seguinte maneira:
- interrupção de meia hora para uma queda de 10% no índice;
- interrupção adicional de 1 hora se o índice cair mais 5% após a reabertura (completando uma queda total de 15%);
- interrupção por prazo definido a seu critério se o índice cair mais 5% após a segunda reabertura (totalizando uma queda total de 20%).
A BM&FBOVESPA assegura um período de 30 minutos de negociação contínua no final da sessão regular, de modo a possibilitar que compradores e vendedores ajustem suas posições.
Projeções
Alguns analistas de mercado – técnicos ou grafistas – utilizam o comportamento histórico dos índices como base para suas projeções sobre o futuro comportamento do mercado ou de um setor. Os índices em si, entretanto, têm como propósito representar acuradamente o comportamento do mercado até o momento presente, ou seja, demonstrar para onde o mercado caminhou (e não o seu futuro).
Índices x Economia
Há um grande campo comum entre o desempenho da economia e o do mercado de ações, pois os lucros das empresas são um forte "combustível" para a economia do país. Assim, o mercado frequentemente se antecipa a expansões e retrações da economia. Contudo, a correlação não é perfeita, pois há outros fatores que movimentam os mercados e a economia. Nesse sentido, é um erro formular expectativas econômicas apenas com base nos movimentos dos índices de ações.
Exemplo de negociação de contrato futuro
Os índices têm como unidade de medida o "ponto". Ele representa um valor absoluto, cuja função é servir de instrumento de comparação: ele permite a análise de variação do valor de uma carteira de ativos ao longo do tempo.
A rentabilidade é representada pela variação dos pontos do índice. Ou seja, divide-se o valor do índice em uma determinada data pelo valor do índice na data de referência passada, subtrai-se 1 (um) do resultado obtido nessa operação e multiplica-se o resultado por 100 (cem) para obter a rentabilidade em termos percentuais da carteira.
-
Taxas de Câmbio
Especificação do contrato:
A Câmara de Registro, Compensação e Liquidação de Operações de Câmbio da BM&FBOVESPA tem por objeto o registro, a análise, a aceitação, a contratação, a compensação e a liquidação das operações de câmbio realizadas por seus participantes diretamente ou por intermédio de sistemas de negociação.
Sistemas de comunicação
Os sistemas de comunicação oficiais entre a BM&FBOVESPA e seus participantes classificam-se em:
- Normativos:
- comunicações das decisões tomadas pela bolsa através de atos normativos por meio de ofícios circulares e as demais informações, por meio de comunicados.
- Operacionais:
- dentre outras, são as comunicações relacionadas a registro, análise, aceitação e contratação das operações, solicitações de pagamento em moeda nacional e de entrega de moeda estrangeira e os extratos previstos no regulamento da câmara e no manual. Todas as comunicações operacionais são feitas com o uso de mensagens do SPB e com sistema de telas da BM&FBOVESPA. Também se utilizam transações específicas para a formalização dos contratos de câmbio no Sistema de Informações do Banco Central (Sisbacen), bem como outros sistemas eletrônicos de comunicação usados nos mercados internacionais.
- Informativos:
- são todas as divulgações de interesse público, pertinentes às operações de câmbio cursadas nos sistemas da câmara, tais como: cotações mínimas, médias e máximas e volumes negociados, contratados e liquidados. Essas comunicações são feitas por sistemas próprios da BM&FBOVESPA e por sistemas de comunicações de empresas especializadas, contratadas com essa finalidade. Não são divulgados dados que possam causar danos a participantes ou a seus clientes.
A BM&FBOVESPA mantém sistemas de contingência para todos os sistemas de comunicação oficiais, que, quando utilizados como tais, são igualmente oficiais.
Horários
Todas as referências a horas dizem respeito ao horário de Brasília, no relógio dos computadores da câmara, em que a comunicação, por mensagem eletrônica ou por quaisquer outros meios, seja recebida ou emitida por seus sistemas.
Participantes
Podem participar da câmara, exclusivamente, as instituições autorizadas pelo Banco Central do Brasil a operar câmbio, de acordo com a legislação cambial em vigor.
Podem habilitar-se como participantes dos sistemas da câmara:
- bancos autorizados a operar câmbio; e
- instituições autorizadas a intermediar operações de câmbio.
Habilitação
A BM&FBOVESPA definirá as regras para o Cadastramento e a Habilitação dos Participantes.
Liquidação
As Operações de Câmbio serão liquidadas mediante a transferência dos Saldos Líquidos, resultantes da Compensação, pelos Participantes para a Câmara e desta para os Participantes.
Pagamentos e garantias
Os Pagamentos e as Entregas de Moeda Estrangeira correspondentes a cada Data de Liquidação serão efetuados dentro de Sessões de Liquidação.
As Garantias Vinculadas serão consideradas Garantias Não Vinculadas após o Participante efetuar o respectivo Pagamento ou a respectiva Entrega de Moeda Estrangeira.
O que é?
Alguns negócios estão expostos a variações cambiais, e é preciso se proteger com estratégias de hedge utilizando contratos futuros de taxa de câmbio. O mesmo é valido para empresas expostas a variações nas taxas de juros, que podem se proteger com contratos futuros de DI; e às expostas à inflação, que podem se proteger com contratos futuros de índices de inflação.
A Clearing de Câmbio realiza o registro, a compensação, a liquidação e o gerenciamento de risco de operações do mercado brasileiro interbancário de dólar à vista (dólar pronto). As operações registradas podem ser contratadas pelos participantes compradores e vendedores em negociações privadas ou no mercado de dólar pronto da BM&FBOVESPA.
Exemplo de negociação de contrato futuro
Contrato Futuro de Taxa de Câmbio de Reais por Dólar Comercial
- Forma de negociação
- Pregão eletrônico (GTS) e viva-voz
- Objeto de negociação
- Taxa de câmbio de reais por dólar dos Estados Unidos da América, para entrega pronta, contratada nos termos da Resolução 3265/2005 do Conselho Monetário Nacional
- Cotação
- Reais por US$ 1.000,00, com até três casas decimais
- Variação mínima de apregoação
- R$ 0,001 por US$ 1.000,00
- Horário de negociação
- www.bmf.com.br (Boletim/Normas de Negociação)
- Tamanho do contrato
- US$ 50.000,00
- Oscilação máxima diária
- www.bmf.com.br (Boletim/Indicadores/Outros Indicadores)
- Limites de posição
- 10.000 contratos ou 20% das posições em aberto por vencimento, dos dois o maior
- Último dia de negociação
- Dia útil anterior à data de vencimento
- Data de vencimento
- 1º dia útil do mês de vencimento
- Meses de vencimento
- Todos os meses
- Código de negociação
- DOL
- Liquidação
- Financeira na data de vencimento, pelo preço de ajuste do último dia de negociação
- Volume negociado
- www.bmf.com.br (Boletim/Cotações e Volumes/Volume Geral)
- Margem de garantia
- Será exigida margem de garantia de todos os comitentes com posição em aberto, cujo valor será atualizado diariamente pela bolsa, de acordo com critérios de apuração de margem para contratos futuros
Contrato Futuro de Taxa de Câmbio de Reais por Euro (EUR)
- Objeto de negociação
- Taxa de câmbio de reais por euro
- Cotação
- Reais por US$ 1.000,00, com até três casas decimais
- Variação mínima de apregoação
- R$ 0,001 por e1.000,00
- Forma de negociação
- Pregão eletrônico (GTS)
- Horário de negociação
- www.bmf.com.br (Boletim/Códigos e Horários)
- Tamanho do contrato
- e50.000,00
- Oscilação máxima diária
- www.bmf.com.br (Boletim/Indicadores)
- Limites de posição
- 3.000 contratos ou 20% das posições em aberto por vencimento, dos dois o maior
- Último dia de negociação
- Dia útil anterior à data de vencimento
- Data de vencimento
- 1º dia útil do mês de vencimento
- Meses de vencimento
- Todos os meses
- Código de negociação
- EUR
- Liquidação
- Financeira na data de vencimento, pelo preço de ajuste do último dia de negociação
- Volume negociado
- www.bmf.com.br (Boletim/Cotações e Volumes/Volume Geral)
- Margem de garantia
- Será exigida margem de garantia de todos os comitentes com posição em aberto, cujo valor será atualizado diariamente pela Bolsa, de acordo com critérios de apuração de margem para contratos futuros
-
Taxa de Juro
Especificação do contrato Futuro de DI de 1 dia:
- Objeto de negociação
- A taxa de Juro efetiva até o vencimento do contrato, definida para esse efeito pela acumulação das taxas diárias de DI no período compreendido entre a data de negociação, inclusive, e o último dia de negociação do contrato, inclusive.
- Ambiente de negociação
- Pregão viva-voz (somente vencimentos estipulados pela BM&F) e sistema eletrônico (GTS).
- Unidade de negociação
- PU multiplicado pelo valor em reais de cada ponto, estabelecido pela BM&F.
- Cotação
- Taxa de juro efetiva anual, base 252 dias úteis, com até três casas decimais.
- Meses de Vencimento
- Os quatro primeiros meses subseqüentes ao mês em que a operação for realizada e, a partir daí, os meses que se caracterizarem como de início de trimestre (janeiro, abril, julho e outubro).
- Último dia de negociação
- Dia útil anterior à data de vencimento.
- Data de Vencimento
- Primeiro dia útil do mês de vencimento.
- Liquidação no Vencimento
- Na data de vencimento, as posições em aberto, após o último ajuste, serão liquidadas financeiramente pela Bolsa, mediante o registro de operação de natureza inversa (compra ou venda) à da posição, na mesma quantidade de contratos, pela cotação (preço unitário) de 100.000 pontos. Os resultados financeiros da liquidação serão movimentados no dia útil subseqüente à data de vencimento.
Especificação do Contrato Futuro de Cupom Cambial:
- Objeto de negociação
- O diferencial entre a taxa de juro efetiva de Depósitos Interfinanceiros – DI e a variação cambial medida pela taxa de câmbio de reais por dólar dos Estados Unidos observado no período compreendido entre a data de negociação, inclusive, e o último dia do mês anterior ao mês de vencimento do contrato, inclusive.
- Ambiente de negociação
- Exclusivamente no sistema eletrônico (GTS).
- Unidade de negociação
- Valor final de liquidação, equivalente a US$50.000,00.
- Cotação
- Taxa de juro, denominada de cupom cambial, em percentual ao ano, com duas casas decimais.
- Meses de Vencimento
- Os quatro primeiros meses subseqüentes ao mês em que a operação for realizada e, a partir daí, os meses que se caracterizarem como de início de trimestre (janeiro, abril, julho e outubro)
- Último dia de negociação
- Último dia útil (dia de pregão) do mês anterior ao mês de vencimento do contrato Data de Vencimento Primeiro dia útil (dia de pregão) do mês de vencimento.
- Liquidação no Vencimento
- Na data de vencimento, as posições em aberto, após o último ajuste, serão liquidadas financeiramente pela Bolsa, mediante o registro de operação de natureza inversa (compra ou venda) à da posição, na mesma quantidade de contratos, pela cotação (preço unitário) de US$50.000,00. Os resultados financeiros da liquidação serão movimentados no dia útil subseqüente à data de vencimento do contrato.
Especificação do Contrato Futuro de Cupom de DI x IGP-M
- Objeto de negociação
- Cupom de IGP-M, definido para esse efeito pela diferença entre a acumulação das taxas de DI, apuradas pela Cetip para o período compreendido entre a data de operação, inclusive, e a data de vencimento do contrato, exclusive, e a variação do IGP-M, ao longo do período compreendido entre a data da operação, inclusive, e a data de vencimento, exclusive.
- Ambiente de negociação
- Exclusivamente no sistema eletrônico (GTS).
- Unidade de negociação
- PU multiplicado pelo valor em reais de cada ponto, estabelecido pela BM&F, multiplicado pelo valor do númeroíndice do IGP-M, pro rata tempore.
- Cotação
- Taxa de juro efetiva anual, base 252 dias úteis, com até 3 casas decimais.
- Meses de Vencimento
- Os quatro primeiros meses subseqüentes ao mês em que a operação for realizada e, a partir daí, os meses que se caracterizarem como de início de trimestre.
- Último dia de negociação
- Quinto dia útil anterior à data de vencimento do contrato
- Data de Vencimento
- Primeiro dia útil do mês de vencimento do contrato.
- Liquidação no Vencimento
- Na data de vencimento, as posições em aberto, após o último ajuste, serão liquidadas financeiramente pela Bolsa, mediante o registro de operação de natureza inversa (compra ou venda) à da posição, na mesma quantidade de contratos, pela cotação (preço unitário) de 100.000 pontos. Os resultados financeiros da liquidação serão movimentados no dia útil subseqüente à data de vencimento do contrato.
Especificação do Contrato Futuro de Cupom de IPCA
- Objeto de negociação
- Taxa de juro obtida a partir do cálculo da diferença entre a acumulação da taxa de DI, no período compreendido entre a data da operação, inclusive, e a data de vencimento, exclusive, e a variação do IPCA, no período compreendido entre a data da operação, inclusive, e a data de vencimento.
- Ambiente de negociação
- Exclusivamente no sistema eletrônico (GTS).
- Unidade de negociação
- PU multiplicado pelo valor em reais de cada ponto, estabelecido pela M&F multiplicado pelo valor do IPCA pro rata tempore.
- Cotação
- Taxa de juro efetiva anual, base 252 dias úteis, com até 3 casasdecimais
- Meses de Vencimento
- Fevereiro, maio, agosto e novembro.
- Último dia de negociação
- Último dia útil (dia de pregão) do mês anterior ao mês de vencimento
- Data de Vencimento
- Dia 15 do mês de vencimento ou o dia útil subseqüente, caso esse dia não seja dia de pregão.
- Liquidação no Vencimento
- Na data de vencimento, as posições em aberto, após o último ajuste, serão liquidadas financeiramente pela Bolsa, mediante o registro de operação de natureza inversa (compra ou venda) à da posição, na mesma quantidade de contratos, pela cotação (preço unitário) de 100.000
O que é?
Os contratos futuros de taxa de juro surgiram nos anos de 1970, nos Estados Unidos, quando o fim da conversibilidade do dólar e das paridades fixas entre moedas abriu espaço às flutuações das taxas de câmbio e às conseqüentes oscilações das taxas de juro dos diferentes países. Empresas e instituições financeiras, que lidavam com títulos de dívida ou ativos e passivos monetários em geral, começaram a ter dificuldade em compatibilizar rendimentos planejados com resultados finais.
Define-se juro como a remuneração ao capital emprestado ou aplicado; e a taxa de juro como a remuneração percentual que o credor obtém pela cessão temporária do dinheiro, ou seja, trata-se do preço do dinheiro no tempo.
Com a globalização e integração dos mercados financeiros mundiais, nem sempre as trajetórias dimensionadas pelos bancos centrais quanto às taxas de juros em suas respectivas economias são sustentáveis. Dessa forma, investimentos do setor público e privado e os financiamentos existentes estão sujeitos à volatilidade das taxa de juro.
Os contratos futuros desta variável financeira vêm justamente criar uma alternativa para o gerenciamento deste tipo de risco.
Investimentos e empréstimos fazem parte da rotina dos agentes de uma economia. Cada uma dessas operações está exposta ao risco relativo às taxas de juros. Devido à sua volatilidade é difícil avaliar a taxa que estará vigorando em uma data futura.
Os agentes com dívidas atreladas a uma taxa de juro pós-fixada (ou com investimentos em ativos pré-fixados) possuem o risco de perdas caso essa taxa aumente. Por outro lado, se as dívidas forem corrigidas por uma taxa pré-fixada (ou os investimentos forem papéis pós-fixados), o risco é de que as taxas caiam. Nesse sentido, os contratos futuros de taxa de juro se constituem em importantes ferramentas no gerenciamento de riscos desse tipo, próprios da administração financeira das empresas financeiras e não financeiras e dos investidores pessoa-física.
Além da função de proteção contra o risco de mercado relativo à taxa de juro, estes contratos futuros são muito utilizados em estratégias de especulação e arbitragens.
Por exemplo, um administrador de fundos pode "antecipar o rendimento" de suas aplicações em títulos de renda fixa, comprando contratos futuros. Todavia, o sucesso da estratégia dependerá da confirmação da tendência de alta da taxa de juro, esperada no início da operação.
A preocupação com o chamado risco de taxa de juro tem aumentado muito, levando empresas à criação de departamentos específicos e à adoção de instrumentos de medidas de risco que fazem parte do seu dia-a-dia.
Como transformar uma operação ativa prefixada em pós-fixada:
Aplicador de recursos prefixados
- - Risco: alta da taxa de juro
- Operação: compra de futuros
- Estratégia: compra de taxa; se a taxa subir, ganho com os ajustes diários
- Resultado: a operação a vista prefixada é convertida em operação pós-fixada com os ajustes diários
Tomador de recursos prefixados
- Risco: queda da taxa de juro
- Operação: venda de futuros
- Estratégia: venda de taxa; se a taxa cair, ganho com os ajustes diários
- Resultado: a operação a vista prefixada é convertida em operação pós-fixada com os ajustes diários
Como transformar uma operação ativa pós-fixada em prefixada:
Aplicador de recursos pós-fixados
- Risco: queda da taxa de juro
- Operação: venda de futuros
- Estratégia: venda de taxa; se a taxa cair, ganho com os ajustes diários
- Resultado: a operação a vista pós-fixada é convertida em operação prefixada com os ajustes diários
Tomador de recursos pós-fixados
- Risco: alta da taxa de juro
- Operação: compra de futuros
- Estratégia: compra de taxa; se a taxa subir, ganho com os ajustes diários
- Resultado: a operação a vista pós-fixada é convertida em operação prefixada com os ajustes diários.
Veja abaixo cada um dos contratos futuros do complexo Financeiros-Taxa de Juros da BM&F e as suas características:
1-Contrato Futuro de DI de 1 dia
No Brasil, este é o derivativo de juros mais negociado em bolsa. São utilizados principalmente pelo mercado financeiro para proteger investimentos em títulos públicos com taxa pré-fixada, tais como LTN, e em ativos gerados no financiamento ao consumidor, o chamado CDC (Crédito Direto ao Consumidor).
A diferença dos contratos convencionais de taxa de juro, o contrato futuro de DI de 1 dia negocia a taxa de juro de um título que rende a Taxa Cetip dos depósitos Interfinanceiros de 1 dia de prazo, acumulada entre o dia da negociação e o vencimento do contrato. Nos contratos de juros, é mais comum negociar a taxa de juro de um título que, nos dia do vencimento do contrato futuro, tem um prazo (predefinido) a decorrer
Esse derivativo se constitui em uma referência para a economia como um todo ao sintetizar, em seus pregões, as expectativas sobre os comportamentos dos juros para períodos futuros. Isso é possível, em primeiro lugar, pelo seu elevado grau de liquidez, que garante a formação de preços em ambiente competitivo e com total transparência.
1-Contrato Futuro de Cupom Cambial
O cupom cambial é a denominação dada ao diferencial entre taxa de juro interna e a variação cambial, ambos referidos ao mesmo período. Portanto, trata-se de uma taxa de juro em dólar. Isto é, representa a remuneração de um título expresso ou indexado em dólares no mercado financeiro nacional. Quanto maior o cupom cambial, mais atrativa a entrada de capitais em nossa economia. O contrato futuro de cupom cambial (DDI) negocia a expectativa de juros descontada pela variação cambial do período. O contrato se encerra, em sua respectiva data de vencimento, em 100.000 pontos (ou US$50.000,00, de onde cada ponto vale US$0,50).
Apesar das cotações serem realizadas em taxa de juro (%a.a) as posições são registradas diariamente em PU. Este PU se obtém descontando o valor (100.000 pontos) pela taxa negociada, ajustada ao prazo da operação.
Contrato Futuro de Cupom de DI x IGP-M
No dia 30 de novembro de 2001 a BM&F lançou o contrato futuro de cupom de taxa DI x IGP-M. Um novo instrumento de hedge com liquidação financeira entre datas intermediárias preestabelecidas.
Contrato Futuro de Cupom de IPCA
Em dezembro de 2004, a BM&F lançou o contrato futuro de cupom de IPCA (em conjunto com o futuro de IPCA). O objetivo desses contratos é fornecer hedge para investidores que compram títulos públicos indexados ao IPCA (Notas do Tesouro Nacional série B, ou NTN-Bs) e ajudar empresas e instituições financeiras a casarem ativos e passivos atrelados.
-
Títulos da Dívida Externa
Características dos contratos Futuro de Global 2009
- Objeto de negociação
- Título da dívida externa brasileira denominado Federative Republico f Brazil – 14,5% US Dollar Denominated Global Bond Due 2009
- Ambiente de negociação
- Exclusiva no pregão eletrônico – GTS
- Unidade de negociação
- US$ 50.000,00 de valor de face
- Cotação
- Expressa em preço unitário, valor, em dólares dos EUA, para cada US$100,00 de valor de face do título-objeto de negociação. O PU deverá ser expresso com uma parte inteira e uma parte decimal com três casas decimais.
- Prazo de vencimento
- Cinco dias corridos e seus múltiplos, até 30 dias; e múltiplos de 30 dias corridos, até 180 dias.
- Meses de vencimento
- Janeiro, abril, julho e outubro
- Último dia de negociação
- Dia útil anterior à data de vencimento do contrato.
- Data de vencimento
- Primeiro dia útil do mês de vencimento do contrato.
- Liquidação no Vencimento
- Na data de vencimento, as posições em aberto, após o último ajuste, serão liquidadas financeiramente pela Bolsa, mediante o registro de operações de natureza inversa à da posição, na mesma quantidade de contratos, pela taxa Referencial BM&F – Preço de Título da Dívida Soberana, referente ao Global 2009 e relativa ao último dia de negociação. Os valores resultantes dessa liquidação serão convertidos para reais pela taxa de câmbio, cotação PTAX, relativa ao último dia de negociação, e movimentados financeiramente na própria data de vencimento.
Características dos contratos Futuro de Global 2040
- Objeto de negociação
- Título da dívida externa brasileira denominado Federative Republico f Brazil – 11% US Dollar Denominated Global Bond Due 2040
- Ambiente de negociação
- Exclusiva no pregão eletrônico - GTS
- Unidade de negociação
- US$ 50.000,00 de valor de face
- Cotação
- Expressa em preço unitário, valor, em dólares dos EUA, para cada US$100,00 de valor de face do título-objeto de negociação. O PU deverá ser expresso com uma parte inteira e uma parte decimal com três casas decimais.
- Meses de vencimento
- Janeiro, abril, julho e outubro
- Último dia de negociação
- Dia útil anterior à data de vencimento do contrato.
- Data de vencimento
- Primeiro dia útil do mês de vencimento do contrato.
- Liquidação no Vencimento
- Na data de vencimento, as posições em aberto, após o último ajuste, serão liquidadas financeiramente pela Bolsa, mediante o registro de operações de natureza inversa à da posição, na mesma quantidade de contratos, pela taxa Referencial BM&F – Preço de Título da Dívida Soberana, referente ao Global 2040 e relativa ao último dia de negociação. Os valores resultantes dessa liquidação serão convertidos para reais pela taxa de câmbio, cotação PTAX, relativa ao último dia de negociação, e movimentados financeiramente na própria data de vencimento
O que é?
Tanto o setor público como o privado contribuem para formar a dívida externa do Brasil. A maior parte da divida gerada pelas entidades públicas é documentada por títulos de longo prazo, emitidos por essas entidades, com diversas características diferenciadas.
Dívida externa é o total das obrigações assumidas pelas entidades públicas e por pessoas do direito privado com vencimento em prazos diversos, emitidas em moeda estrangeira e colocadas junto a credores não residentes.
Para a dívida pública mobiliária externa, vigoram os princípios gerais de emissão da dívida interna, podendo destinar-se a suprir déficits orçamentários, para viabilizar investimentos de longo prazo ou para refinanciar a dívida pública. A dívida pública mobiliária é representada por títulos emitidos pela União, inclusive os do Banco Central do Brasil, Estados e Municípios.
Bradies Bonds
O mercado de bradies bonds surge no mundo nos anos de 1980, a partir da crise da dívida externa de alguns países em desenvolvimento, ocorrida em função dos choques do petróleo e da elevação das taxas de juro externas.
Em 1989, Nicholas Brady, então, secretário do Tesouro dos EUA, apresentou um plano, denominado Plano Brady, que visava reestruturar as dívidas vencidas e não pagas destas nações junto à comunidade financeira internacional.
Os países (México, Venezuela e Argentina) que aderiram ao plano realizaram emissões de obrigações soberanas (emissão de diferentes títulos, conhecidos como bradies bonds, os quais passaram a ser negociados no mercado secundário), as quais trocaram (securitizaram) a dívida bancária existente, prolongaram o seu vencimento e garantiram o risco através de colaterização (ação de garantir através de valores ou outros títulos o pagamento principal de forma reduzir as taxas de juro em operações financeiras) do principal e dos juros.
O Plano Brady no Brasil foi negociado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil e firmado na cidade de Toronto, no Canadá em abril de 1994. O elemento do Plano foi a novação da dívida mediante troca da dívida velha por novos bônus de emissão do País, com ou sem garantias, integral ou parcial, do principal e dos juros.
A partir de julho de 2005 o governo brasileiro começou a retirar do mercado os CBonds.
Esta retirada ocorreu através da troca desses papéis pelo A-Bond (amortizing Bond), um novo título com vencimento em 15 de janeiro de 2018. Dessa forma o governo conseguiu alongar em 3,75 anos o prazo de vencimento da dívida em relação aos C-Bonds. O A-Bond caracteriza-se por ter amortização semestral a partir de julho de 2009 e juros de 8% a.a. pagos semestralmente a partir de 2006.
Globals Bonds
Em junho de 1997 foi efetivada pelo governo brasileiro a primeira emissão de globals bonds, bônus denominado em dólar dos Estados Unidos que, em geral, pagam taxas de juro fixas em cupons semestrais e com amortização única no vencimento.
Os globals bons têm uma aceitação ampla no mercado financeiro devido ao seu fluxo de caixa simples, com pagamento de juros semestrais e resgate do principal no vencimento.
Mercado Futuro de Globals
Os contratos futuros de Global 2009 e 2040 possuem características um pouco diferentes dos demais contratos futuros da BM&F, pois estão referenciados em títulos que não são negociados no Brasil. Sua forma de cotação é semelhante aos mercados clássicos de juros (preço unitário de um título com um certo prazo a decorrer na data de vencimento do contrato) e sua liquidação, se houver, é realizada por meio de um indicador de preço.
O mercado secundário para estes dois títulos da dívida externa brasileira se restringe ao mercado internacional, não havendo autorização para que o investidor nacional negocie nele. Os principais participantes deste mercado são instituições financeiras e investidores institucionais que, além de utilizarem os futuros como forma de proteção contra eventuais oscilações de preço não desejáveis, buscam arbitrar diferenças e eventuais desequilíbrios entre taxas de juro de diferentes mercados internacionais.
Características dos contratos
Devido a grande demanda pelos chamados títulos da dívida soberana no mercado internacional, a BM&F abriu para negociação o contrato futuro de Global 2040 em dezembro de 2003 e de Global 2009 em junho de 2005 para atender às necessidades de hedge desses ativos.
Os dois contratos são negociados no GTS – pregão eletrônico – sob respectivos códigos de negociação B09 e B40, sendo a cotação obtida por meio de percentual sobre valor de face em US$ e tendo vencimentos trimestrais conforme a sua especificação contratual.
A partir do dia 30/09/2005, a BM&F autorizou a negociação de 13 contratos de Global Bonds, de diversas maturidades, e o contrato futuro Amortization Bond (A-Bond), referenciado no título que foi objeto de troca do C-Bond, realizada pelo Tesouro Nacional. São eles: A-Bond 2018 (A18); Global 2010 (B10); Global 2011(B11); Global 2012 (B12); Global 2013 (B13); Global 2014 (B14); Global 2015 (B15); Global 2019 (B19); Global 2020 (B20); Global 2024 (B24); Global 2025 (B25); Global 2027 (B27); Global 2030 (B30); Global 2034 (B34).
Com esses lançamentos, está disponível a negociação na modalidade futuro, todos os pontos atualmente oferecidos na estrutura de taxas de juro internacional para títulos da Dívida Soberana brasileira, denominada em dólares.
Em novembro de 2006 foram lançados os futuros de Global Bond 2037 e de US Treasury Notes de 10 Anos (Título americano teórico com cupom de 6%, regime semianual e emissão na data do vencimento do contrato futuro).
-
Operação Fra de Cupom Cambial
Nota
O FRA de cupom cambial constitui-se em uma modalidade operacional no mercado de DDI, em que se negocia um cupom cambial limpo entre duas datas futuras. Ao comprar FRA, o agente assume uma posição comprada no vencimento longo e vendida no vencimento curto.
O que é?
No mercado financeiro nacional, convencionou-se denominar cupom cambial sujo (ou cupom nominal) à taxa de juro em dólares calculada utilizando cotação de câmbio do dia anterior ao de início do período considerado.
Reserva-se o nome de cupom cambial limpo (ou cupom real) para taxa de juro em dólares que resulta ao calcular a variação cambial a partir da taxa de câmbio do dia de início do período considerado.
A utilização do contrato futuro de cupom cambial (DDI) em cenários de volatilidade acentuada da taxa de câmbio gera alguns problemas relacionados com a precisão do hedge. De maneira geral, se um investidor troca moeda em "t" para aplicar até "t+n", no mercado local, nesse mesmo dia negocia o contrato de DDI visando fixar o cupom cambial do período (t até t+n).
A variação cambial real , que afetará o rendimento do investidor, é a apurada entre t e t+n. Todavia, a variação cambial utilizada para ajustar as posições no mercado futuro de cupom cambial (DDI) tem um dia de defasagem.
As diferenças entre a variação cambial, em um outro caso, podem distorcer acentuadamente a rentabilidade planejada.
Em janeiro de 2001, a BM&F lançou uma modalidade operacional no mercado de DDI com o propósito de permitir a realização de FRA (Forward Rate Agreement) de cupom cambial.
Por meio desta operação, as partes assumem uma posição no vencimento FRA (que corresponde) a uma posição longa em DDI, com vencimento em t² e, automaticamente, a Bolsa abre uma posição inversa no primeiro vencimento aberto de DDI (com liquidação em t¹).
As partes negociam uma taxa de juro linear para um período futuro entre t¹ e t², ou seja, entre o dia da liquidação do primeiro vencimento do DDI e o dia de liquidação do vencimento mais distante.
A vantagem adicional desta modalidade operacional é permitir a negociação de um FRA de cupom cambial "limpo" (isto é, sem o efeito da defasagem de um dia da PTAX800 usada na liquidação dos ajustes diários).